Dirigir – um passo de cada vez – II

Ainda lembro da emoção de guiar o carro até a casa da minha mãe pela primeira vez (releia aqui). Mas…Lá ficou o carrinho mais um tempinho esperando a vez dele, que chá de garagem!

Com a mudança para uma nova cidade, começaram as cobranças de novo: o que você vai fazer com o carro? Como você vai levar? Por que não vende já que não usa? Mas conseguimos bolar um esquema e o trovão azul mudou pra casa nova antes mesmo da dona, que só chegou de mala e cuia 4 dias depois.

No segundo dia de casa nova, já arranjei um monte de desculpas para não sair com o possante: tá tarde! Tô cansada! Tá Chovendo! Mas com um empurrãozinho do papis, fomos dar uma volta no bairro e até simulei a ida pro trabalho.

No terceiro dia não tinha jeito, precisava resolver uma porção de coisas e só estava eu e o Fiestinha em casa, era agora ou nunca.

Fiquei o dia todo me preparando psicologicamente, escolhendo que calçado por, ensaiando mentalmente todas as manobras necessárias, memorizando o caminho a fazer, e lá fui eu…

Sentei no carro, como estava calor abri o vidro, como são muuuuiiiitos anos de passageira, só consegui abrir com a mão direita, ajustei espelho daqui, o banco dali, treinei a sequência de marchas do câmbio, respirei fundo, liguei o carro e abri o portão.

Quando ia engatar a marcha ré para sair, vejo minha grande amiga e vizinha pelo retrovisor: pára tudo! Desliguei, sai do carro e fui falar com ela, que muito simpática até ofereceu para ir comigo, mas era definitivamente algo que eu ia fazer sozinha.

Ela foi embora e eu comecei tudo de novo, conferi 50 vezes o espellho, mais uma 100 as sequências de marcha, engatei a ré e sai. Como tenho uma dificuldade imeeeeeensa para entender essa história de para que lado virar o volante quando anda para trás, embiquei para o lado oposto que queria.

Sem problema, dei a volta na quadra e sai na avenida principal, confesso que não me lembro do caminho, é como se estivesse flutuando, meio que fora do corpo, sei lá uma sensação estranha.

Cheguei ao primeiro ponto de parada, por incrível que pareça, tnha uma vaga no estacionamento com meu nome escrito, e não é que estacionei de ré, ajeita daqui, acerta dali, entrei e sai de uma vaga gigante 250 vezes porque não queria deixar o carro torto.

Peguei o que tinha que pegar e fui pra segunda parada, dessa vez o caminho foi mais cheio de obstáculos, semáforos, viadutos, subidas, e ainda a falta de paciência dos motoristas dessa cidade, que já buzina assim que muda de vermelho para verde.

Nem lembro se o carro chegou a morrer, dessa vez tinha que estacionar na rua, achei uma árvore estratégica, que o calor estava bombando, mas tive que andar um tantão para chegar ao destino. E lá como demorou um pouco mais, começou a bater uma insegurança, se eu tinha ou não fechado o portão eletrônico.

Consegui conter meu ímpeto de largar tudo e voltar correndo para casa, terminei o que fui fazer. Até tinha uma terceira parada, mas como não era urgente, ficava no centrão, ou seja, mais difícil de estacionar, e a neura do portão, fui para casa.

E estava tudo bem, guardei o carro na garagem, que dessa vez não ficou fazendo sombra não, já começou a sair todos os dias da semana para o trabalho e não parou mais.

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3 Responses to Dirigir – um passo de cada vez – II

  1. Fabio Cassim says:

    Fê ñ ligue pros apressados, se encherem muito o saco ligue o pisca alerta e mande um va se f…! Beijo.

  2. Daniel says:

    Muito legal a narrativa. me senti no banco do passageiro acompanhando tudo.

    Parabéns pela coragem em superar esse desafio!

  3. Ricardo says:

    Parabéns Fê! Excelente iniciativa! Estou inspirado no seu post pra fazer o mesmo por aqui quando comprar meu carro.

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